O mundo é o oposto do Registro Celestial.
O Continente Central está separado do Grande Continente Ocidental por um vasto oceano, ambos se encarando à distância. No oriente, as terras são mais elevadas, e o céu parece mais alto também. Nuvens e névoas sobem do mar e da terra, flutuando incessantemente até aquele ponto, onde se reúnem e permanecem o ano inteiro.
Ali se encontra o Túmulo das Nuvens — o túmulo de todas as nuvens do mundo.
No mais profundo do Túmulo das Nuvens, há um pico solitário, cuja ponta perfura o vazio, desconhecendo-se aonde leva. Diz a lenda que o mundo é composto por cinco continentes, cada qual com paisagens distintas, e só aqueles que adentram o domínio sagrado podem contemplar todas essas paisagens. Para o comum dos mortais, lendas não passam de lendas; eles não sabem onde ficam os outros continentes, nem como chegar até lá, tampouco imaginam que o pico solitário do Túmulo das Nuvens é a passagem para outros continentes.
Naturalmente, ninguém jamais viu a paisagem acima das nuvens. Ali, camadas tranquilas de nuvem se espalham como algodão branco em todas as direções, sem fim à vista. Acima, atrás do espelho do vazio, há um abismo negro e sem fim, cravejado de incontáveis estrelas.
De repente, duas estrelas brilham mais forte, aproximando-se rapidamente do espelho. Vêm tão perto que se pode ver: são duas chamas sagradas e alvas.
No espelho que separa o mundo real do céu noturno, rachaduras em forma de teia surgem e logo se recompõem.
As duas chamas já estão, por algum modo mágico, no lado real do espelho.