Menino: Vovô, será que agora vão aparecer extraterrestres? Vovô: Meu querido, até os amiguinhos dos extraterrestres têm que ir à escola. Neste momento, todos eles já estão dormindo. Menino: Então eu também vou dormir. Amanhã quero chegar ao jardim de infância antes dos amiguinhos extraterrestres.
O sistema estelar de Touro, na Via Láctea, está a dez mil anos-luz do Sistema Solar. Entre os numerosos planetas colonizados pela humanidade, o Paraíso de Touro é, sem dúvida, o mais semelhante ao planeta-mãe da espécie humana: temperatura, estações e duração dos dias e noites são surpreendentemente parecidos com os da Terra. O Paraíso é considerado um típico “planeta-colônia pacífico”; em toda a sua superfície quase não se veem grandes naves-mães ou fortalezas terrestres. Os cidadãos vivem em paz, raramente sofrendo perturbações de criaturas alienígenas, o que o distingue radicalmente de alguns planetas militares da Federação. Talvez esses dois fatores expliquem porque a maioria dos cidadãos da Federação Interstelar prefere fixar residência aqui.
— Ei, garoto, está ouvindo? —
No subúrbio da cidade de Liri, no Paraíso, um quarto de pensão desgastado, com cartazes de naves espaciais e criaturas alienígenas exóticas nas paredes, acolhia Chen Fei, que dormia profundamente até ser despertado por uma voz estranha. Sentando-se, ainda atordoado, viu que passava pouco das três da madrugada. Um dia no Paraíso tem vinte e cinco horas terrestres.
Chen Fei tem dezoito anos, mede um metro e setenta e seis, e possui aparência agradável, embora seja um pouco escuro e magro. Estuda no segundo ano do ensino médio na Escola Secundária nº 43 da cidade de Liri. Os pais, funcionários comuns de um vilarejo próximo, sacrificaram-se para garantir ao filho uma vaga numa escola da cidade. Chen Fei frequenta as aulas durante o dia e, à noite, trabalha em um pequeno restaurante.