Quando fui acolhido pelo núcleo estratégico da Legião Cicatriz Branca, quando herdei o nome de Qin Xia, um antigo guerreiro dessa mesma legião de dez mil anos atrás, pensei que meu destino era lutar até a morte por eles. Quando fui levado pelos Cavaleiros Cinzentos antes do início da cirurgia de transformação, achei que meu destino seria combater demônios até o fim. Até que... aquele maldito Espaço Warp me lançou dez mil anos no passado, num planeta chamado Nukeria, onde encontrei o jovem Angron. Qin Xia olhou para Angron, aquele que um dia se tornaria o mais selvagem e impiedoso dos Primarcas, e mergulhou em pensamentos. Criar Angron? Sério mesmo? O único consolo para Qin Xia era que Angron, ainda criança, não havia recebido o Implante do Açougueiro, nem se transformado num assassino sanguinário. Seu dom de sentir e absorver emoções negativas alheias ainda estava lá, assim como seu coração compassivo e uma impressionante empatia. Ainda não era tarde demais para tudo mudar. ... Também conhecido como “Eu Não Quero Ser o Escolhido de Khorne”. “Eu também não quero ser o escolhido de Tzeentch”, Qin Xia deu de ombros. “Embora eu seja, de fato, um mestre no campo dos poderes psíquicos.”
Uma nave de guerra singrava pelo espaço disforme. Esse cruzador de classe lunar, com cerca de cinco quilômetros de comprimento, ao se aproximar de um planeta, era capaz de alterar sua gravidade devido ao tamanho colossal; contudo, naquele espaço alternativo, parecia apenas uma folha perdida no vendaval de uma tempestade furiosa.
Aquela “folha” vagueava, atravessando o gigantesco olho formado pela confluência dos astros, passando entre nebulosas de garras demoníacas, cercada por incontáveis entidades indescritíveis, ao mesmo tempo abomináveis e temíveis, habitantes do espaço distorcido.
Frágil e impotente.
No interior da nave, protegidos da visão daquelas horrores exteriores, os ocupantes sentiam-se ainda mais indefesos do que o próprio casco metálico. O uivo aterrador de criaturas monstruosas misturava-se ao ribombar incessante de armamentos leves e pesados, compondo uma melodia macabra de terror e desespero.
Mortos ressuscitados perambulavam sem rumo; escravos outrora diligentes e soldados leais se digladiavam até a morte, enquanto criaturas demoníacas surgiam de qualquer canto, trucidando tudo o que encontravam.
Na iminência do colapso, o pânico dominava o convés de comando. Todos ali reunidos — desde o capitão, passando pelos soldados de guarda e marinheiros afortunados que ali buscaram refúgio, até os oficiais outrora orgulhosos — discutiam lutar até o fim em nome do Imperador Divino, debatiam a ordem de quem deveria morrer primeiro, ou como proteger o cadáver do capitão nobre das garras de traidores e entidades do espaço disforme.