Ao atravessar para Anping, um mundo paralelo, vivi os conflitos da época, o sofrimento do povo e a morte da minha esposa, e acabei virando um velho que parecia não conseguir morrer. Em certo dia, de repente, surgiu ali o Bai Wuchang local, quebrando a vida tranquila que Anping levava antes. Percebi que o ditado “a três pés acima da cabeça há uma divindade” era verdadeiro: afinal, o submundo também é real.
País das Flores, cidade de Liáoshui, dentro de uma loja de roupas.
An Ping abriu os olhos lentamente, fitando o teto que lhe parecia vagamente familiar, respirando fundo antes de soltar um suspiro suave. Hoje, mais um dia tedioso se anunciava.
Levantou-se da cama, abriu a janela e deixou-se envolver pelo ar fresco; o clima de dezembro era gelado. O vento frio o fez estremecer, os pelos do corpo se eriçaram, ele esfregou as mãos distraidamente e, vestindo-se, preparou-se para abrir a loja.
Desceu as escadas, serviu-se de um copo de água morna, abriu a porta do estabelecimento e respondeu com um aceno distraído ao cumprimento do dono do supermercado ao lado.
O inverno no norte era bastante seco, mas, felizmente, havia aquecimento, tornando a vida confortável.
Pegou um livro que não terminara de ler na noite anterior, mas logo o fechou. Sentia-se desanimado. Caminhou até o espelho e viu refletido o rosto de um jovem de dezoito anos, vestindo um terno preto impecável, de traços marcantes, capaz de encantar a maioria das moças.
Seu olhar era opaco, ostentava cabelos curtos, tirou um cigarro do bolso e pensou em acendê-lo.
Após hesitar por um instante, foi até a porta da loja, acendeu o cigarro e soprou a fumaça misturada ao calor do próprio hálito.
— Ora, tão cedo fumando do lado de fora, já tomou café da manhã? — soou a voz jovial de uma garota. An Ping nem precisou olhar para saber: era a filha do dono da livraria ao lado, Long Yue.
Afinal, a livraria fora aberta pelos pais dela, que bancaram tudo. An Ping, sem se virar,