Um pé gigantesco caiu do céu, levando a humanidade de volta à era primitiva. Por toda parte, cenas horripilantes de homens devorando uns aos outros se espalhavam, mergulhando o mundo em um terror inimaginável.
Ano 984.
Primavera.
Madrugada.
Reino Provisório dos Neandertais — Vila do Desfiladeiro.
Um jovem de pele cinzenta trabalhava na forja. Seus cabelos curtos e castanhos, assim como a camisa branca de mangas arregaçadas, estavam encharcados de suor. Usava um cinto na cintura, calças até a canela, ambas pretas. Estava descalço, com calos grossos acumulados ao longo dos anos. Era relativamente alto e robusto. Os olhos, quase ovais e vermelhos, o nariz pouco proeminente, o rosto comprido e largo, boca pequena, conferiam-lhe um ar simples e bonachão, ainda que seus movimentos fossem desajeitados.
— Irmão! Faz um grampo de cabelo para mim! — pediu a irmã, sorridente, sem que ele percebesse sua aproximação. Ela lhe entregou um copo de madeira de fruta com água, e o irmão bebeu em grandes goles, até que de repente largou o copo e correu até o barril para enxaguar a boca.
— Lucy! Você colocou sal demais! Que coisa... — reclamou. Depois, como se dissesse qualquer coisa sem importância: — Eu sou alguém destinado a grandes feitos, não vou perder tempo com essas miudezas.
A irmã primeiro sentiu-se culpada, depois triste, e por fim seus olhos brilharam ao erguer os polegares diante do peito:
— A espada que meu irmão fizer vai derrotar os sapiens!
Satisfeito, ele sorriu e respondeu com força.
— Os sapiens estão vindo!!!
No instante seguinte, correu apressado, sem dar atenção aos companheiros mortos por flechas inimigas à distância, até avistar a irmã subindo numa árvore retorcida. Seu rosto já não conseguia ocultar o deses