......Contando os grandes feitos, discutindo vitórias e derrotas, um século é apenas um sonho repleto de generosidade. .................... Com o coração voltado para a diligência e o governo, buscando salvar o mundo do colapso, que importa se após minha morte a infâmia se avoluma como ondas? .............................................................. Leve é a vida e a morte, grave é a ascensão e a queda, sob chuvas do mar e ventos celestes, sigo só. .................... Quem não deseja que a Grande Muralha jamais desmorone? Mas é difícil prever que as águas rancorosas, fluindo para o leste, retornem ao grande oceano. ........................................................................... Adaptado de “Aquele que conquista o coração do povo conquista o mundo”, escrito como prefácio.
Capítulo Um: Um Sonho de Quinhentos Anos
O vento fresco soprava suavemente, a noite envolvia tudo com seu mistério, e uma névoa tênue, como véus delicados, enroscava-se ao redor da pacata cidadezinha. Sob a luz difusa do luar, o pequeno rio brilhava cristalino; suas águas deslizavam lentas sob a ponte em arco, e à margem alinhavam-se casinhas de dois ou três andares, cobertas de telhas negras. Nas paredes marcadas pela umidade, o musgo verde-azulado desenhava rastros, e trepadeiras de hera subiam, deixando exposta apenas uma fileira de janelas para o lado do rio.
Era já alta madrugada. Exceto pelo coaxar dos sapos no rio e pelos latidos distantes de cães ao fim das vielas, não se ouvia um só ruído. Apenas uma luz amarelada escapava por uma janela estreita no extremo leste, junto de murmúrios abafados…
Espiando pela janela escancarada, via-se apenas uma mesa, um banco e uma cama; sobre a mesa, uma lamparina de óleo, negra e trêmula, iluminava precariamente o espaço de três pés ao redor. No banco repousava uma tigela de porcelana grosseira, lascada, cheia de feijões de lótus. Um homem de cerca de quarenta anos, de cabelos e barba desgrenhados, vestindo uma túnica longa, agachava-se ao lado, cuidando de um pequeno fogareiro de barro e conversando com o jovem de pouco mais de dez anos deitado na cama.
Falava num mandarim matizado pelo sotaque de Wu, a voz rouca: “Chaosheng, aguenta firme mais um pouco; logo que eu terminar de preparar o remédio, você vai tomar e se curar.”
O rapaz na cama suspirou suavemente, pensando: ‘Já é a trigésima vez que