Recebemos a herança de nossos ancestrais, a qual permitiu à civilização chinesa brilhar por milênios. Aceitamo-la com tamanha naturalidade, sem jamais cogitar retornar àquela era em que, entre arados rústicos e labutas primitivas, buscava-se desesperadamente um caminho. Retribuir aos nossos antepassados sofridos e, nesse gesto, descobrir o verdadeiro significado de nosso lar ancestral, eis o relato que esta obra se propõe a narrar.
Capítulo Um – Profecia
Além do inútil suicídio do corpo e da evasão do espírito, há uma terceira postura frente ao suicídio: a persistência na luta, o enfrentamento do absurdo da existência.
Esta é uma máxima de Camus, mestre do existencialismo, com a qual Yun Lang sempre se identificou profundamente.
A cada indivíduo atormentado cabe uma razão própria para seu sofrimento, sendo fácil encontrar ressonância para tal dor nos vastos domínios já trilhados pela filosofia.
Entretanto, os heróis não são assim; o sentido de sua existência reside na rebeldia ou na salvação.
Seguir por trilhas que outros evitam – eis a marca inconfundível dos heróis.
A luta e a repressão sempre foram os capítulos mais fulgurantes da história humana. Neles, a beleza e a obscuridade do espírito humano se expõem sem véus, como lautos banquetes diante de convivas vorazes, oferecendo não apenas um deleite visual, mas um sabor que se prolonga no tempo.
Quem governa este mundo são eternamente os maus; aos bons, resta apenas a resistência. E, uma vez vitoriosos, mesmo os bons logo se corrompem – assim tem sido por milênios.
Assim são as nações, assim os grupos, e assim, naturalmente, as famílias. Entre eles, há similitude e irreversibilidade...
Diz-se que a humanidade padece de uma enfermidade chamada de “cegueira coletiva”, em que as ações ou pensamentos de uns influenciam multidões.
Talvez seja verdade. Os insurgentes que atiçam massas com um só chamado são produto dessa enfermidade.
A opressão e a resistência são forças eternamente antag